Mais uma vez aluguei a GS na Hispania Tours em Málaga. Johannes Suppan, originário da Áustria, há anos opera um ponto bem abastecido de modelos BMW. No entanto, desta vez, minha viagem foi marcada por uma previsão de tempo ruim. Tive que começar com um percurso bem curto aqui na Andaluzia. Nuvens densas pressionavam a Sierra, uma chuva fina vinha da costa e tudo indicava que o melhor seria deixar a moto estacionada. Mas esses dias têm um charme próprio. Deixo a costa em Fuengirola para trás, passo por Benalmádena e mergulho nas primeiras curvas da Sierra de Mijas. Na A-387, o tráfego diminui, curva após curva, e a cada metro de elevação, o mundo fica mais silencioso. No Puerto del Pino, as nuvens pairam baixas entre as árvores, o asfalto brilha escuro, quase negro – concentração total, linhas limpas, sem espaço para pressa. Atrás de Alhaurín el Grande, o vale se abre brevemente antes de subir novamente. Em direção a Coín, fica claro: o clima é melhor do que parecia. Acima, ao redor do Puerto de Ojén, aparecem essas típicas paisagens de inverno andaluzas – luz suave, colinas verdes, o mar ao fundo, apenas uma sugestão. Uma breve parada em um mirante acima de Ojén, luvas molhadas, ar frio, mas um panorama que fica na memória. Mais tarde, próximo ao Refugio de Juanar, quase não há som. Sem ônibus, sem grupos, apenas o leve estalar do motor esfriando e a vista sobre a Sierra Blanca em direção a Marbella. Não é um passeio de revista, nem um percurso de cartão postal perfeito. Mas exatamente por isso parece certo: uma volta honesta à tarde de janeiro, enfrentando o clima, recompensada com estradas vazias, momentos intensos e aquela boa sensação de estar na estrada, enquanto na Áustria o inverno impõe limites bem diferentes. E, de quebra, adquiri ótimas experiências no selim da BMW R1250GS.